quinta-feira, 10 de março de 2011

Nasce Bruh, a vingativa

O silêncio da noite esconde medos e desejos de vingança que nem mesmo os mais antigos e mais sábios podem imaginar ou descrever. Assim, no silêncio sombrio de uma noite nasceria de forma igualmente silenciosa uma das mulheres mais temidas por aqueles que não sabem o que a noite lhes preserva. Ela não desejaria ser uma heroína, menos ainda uma vilã, a escuridão só lhe traria os desejos de vingança e a capacidade de aniquilar que ninguém jamais tivera vislumbrado em Cidade de Judas.

A doce Meneguelli era apenas uma menina adorável, jovem como uma raposa no alge da sua caçada, desde criança incitada por seus pais a fazer lutas, eles queriam que ela fosse o tipo de mulher que pode se virar sozinha. Coisas que pais zelosos fariam por uma filha única e muito bem cuidada. Em resposta a tamanha apreço, aulas de ballet, melhor educação possível, viagens e coisa mais Meneguelli era extremamente devota e apaixonada por seus pais. Sua família era aquilo que havia de maior valor em sua vida.

Eles viviam em uma grande mansão na zona Oeste de Judas, em um bairro nobre. Meneguelli era uma pessoa de vida social bastante agitada, acompanhava seu pai em jantares, reuniões, aparições publicas e tudo mais, ostentava tamanho status em virtude do pequeno império constituído pelo seu pai, o poderoso e generoso Senhor Meneguelli. Tamanha agitação e popularidade sempre foi causa de muitas preocupações entorno da segurança de toda família.

Em uma noite de outono Meneguelli teve o seu primeiro contato com o Senhor Maximus, um famoso mafioso de Judas, o mesmo a quem ela viria a conhecer como "O Pai". Após um jantar entre políticos e personalidades onde o Senhor Meneguelli procurava, em conversas informais, promover um acordo entre os principais poderes de Judas para tentar melhorar a segurança publica da cidade, acordo este que já vinha chamando atenção de pessoas que não compartilhavam tamanho empenho em virtude da pacificação, o Senhor Meneguelli sofreria um ataque que o levaria a óbito, mas que acima de tudo acabaria de uma vez por todas aquela doçura e simplicidade que se encontrava no olhar da até então menina Meneguelli.

Em um carro logo atrás do carro dos seus pais a menina seguia para sua casa, quando parava no sinal de uma das esquinas da cidade ela viu o carro do seu pai seguir e para na esquina seguinte, onde fora abordado por um grupo de cinco homens fortemente armados que atiraram em to do carro do seu pai, vendo esta cena, impensadamente a Meneguelli saiu do carro pela porta de trás e correu o máximo que pode, como se pudesse impedir a cena que via ao longe. Antes que a menina pudesse percorrer metade dos quinhentos metros até o carro do seu pai os homem já haviam pego tudo que podiam levar e fugido como zebras que correm de um leão faminto. Quando chega ao carro transformado em peneira a menina, que já sentia em si uma brusca metamorfose, via apenas a face irreconhecivel dos seus pais.

Instantes depois, com a chegada da policia a menina apenas sentou-se ao lado do carro, olhando ainda para dentro do veiculo, a menina não demonstrava reação. O olhar congelado e seco naquela noite pesada e fria dizia para aqueles que pudessem entender que ela não seria mais uma menina apenas, mas que iria fazer algo que alguém jamais poderia imaginar, a menina se tornava uma mulher, uma vingadora, mas acima de tudo aquilo que seu pai sempre quisera que ela fosse, mas que ele mesmo não podia imaginar como seria, Meneguelli se tornava uma guerreira que iria lutar, se alimentando do combustível mais insano e vil que se conhece, abastecida de vingança e ódio, naquela noite ela decidiu que iria atrás de todos, não apenas daqueles que mataram seus pais, mas iria atrás de cada olhar frio e vazio de mentes marginais e vazias. Naquela mesma noite, ao sair da festa o Senhor Maximus passou pelo local do crime, ainda ao longe observava aquela metamorfose seca, não via nem mesmo uma lágrima cair dos olhos daquela mulher, ele sabia que algo tinha mudado naquele dia, mesmo sem conhecer a menina que antes existia, ele via naquele olhar algo que queria aproveitar.

Passados quase seis meses da morte de seus pais, Meneguelli julgou que já era tempo de começar a agir, não podia mais guardar em si a sede de vingança. A inconclusão do caso dos seus pais aumentava ainda mais a sua sede, o seu ódio. Ela então se vestiu na mesma roupa que usava para seus treinos de luta, armada com uma pistola semi-automática presa a cintura e duas facas amarradas nas cochas ela ia atrás daqueles que achava que merecia ser punido. Saia assim, vulnerável e impiedosa para caçar, como uma leoa que precisa alimentar sua família, mas a única que aquela mulher vingativa precisava alimentar era sua própria sede vingativa.

Ela saiu então andando pelas ruas, com um casaco que lhe cobria a cabeça, mas dando um jeito que deixa um belo decote amostra, o que atraia os olhares embabacados dos mais bárbaros homens que Judas conhecia. Entrando por um beco escuro ela percebia ser seguida por três homens. Ela não queria saber quem eram, o tamanho, sua historia ou seu passado, ela apenas queria aniquilar marginais. Quando um dos homens se aproximou ela abaixou lentamente as mãos, foi então que ela ouviu um dele falar:

- E então gatinha, vem pra cá, vamos curtir um pouco - os outros homens apenas concordavam e gritavam.

A Meneguelli seguindo em silêncio e com a cabeça baixa ia deixando os homens irritados. Quando chegaram em um ponto do beco onde ninguém de fora podia ver nada, os homens voaram para cima dela, então ela, rápida como uma corça, sacou suas facas e em movimentos rápidos e silenciosos como uma coruja os cortou e os matou de forma rápida. Mas ela não queria apenas mata-los, mas queria mostrar que ela esteve ali, como alguém que espera marcar território. Então ela rasgou a camisa de um deles e deixou no peito daquele que ainda respirava a sua marca, o nome pelo qual aqueles que a deviam temer iriam chama-la, "Bruh".

Apartir desta noite, em Judas, os bandidos temeriam a noite e a escuridão.

Na manha seguinte, sem provas, sem maiores rastros que a policia pudesse seguir, os jornais publicavam em suas manchetes que uma nova justiceira ou uma bandida surgia na cidade, aquele que todos podia chamar de "Bruh", aquela que vem na calada da noite e arrasa homens como se fossem ratos mesquinhos.

3 comentários:

  1. Certas situações transformam bruscamente a vida e a personalidade de pessoas.

    ResponderExcluir
  2. Que massa Rudson ! *-*
    Gostei muito muito muito !!

    ResponderExcluir